Recentemente, aeroportos de grandes cidades como São Paulo tiveram sérios problemas de interferências de emissoras clandestinas de FM que, que afetando a operação dos sistemas de navegação, fizeram com que os pousos e manobras importantes de aproximação de aeronaves fossem abortadas.
Uma ação drástica contra essas emissoras está sendo planejada pelas autoridades, pois o que está em jogo é a segurança do tráfego aéreo. É melhor prevenir um acidente grave agora do que somente tomar as medidas cabíveis depois que acontecer algo.
O problema
Com o falso rótulo de “emissoras comunitárias”, muitas pessoas e entidades têm posto no ar emissoras de FM de potências muito acima daquilo que a legislação inicial existente sobre o assunto permitia.
Assim, os 5 W de potência máxima não são respeitados bem como a altura máxima das torres. Temos visto transmissores de até 500 W (!) com torres que chegam a 40 metros, na rota de aproximacão de aeronaves no Aeroporto de Guarulhos!
Mas, não é somente a potência que causa problemas. Os transmissores usados não têm qualquer controle de qualidade, normalmente são montagens caseiras precárias que acabam por ter seu sinal espalhando por um espectro que se estende muito além da faixa de FM.
É exatamente aí que temos o ponto crítico. A faixa destinada às comunicações entre torre e aeronaves e o sistema de balizamento dos aeroportos opera na faixa que vai dos 108 MHz a 136 MHz, ou seja, justamente acima da faixa de FM.
Dessa forma, um transmissor de FM descalibrado, e não precisa ser muito potente, pode ter sinais espúrios na faixa de aviação, interferindo dos equipamentos de aproximação e comunicação das aeronaves, conforme mostra a figura 1.
E, para que um transmissor emita sinais espúrios e harmônicas não é preciso muito. Basta que os circuitos das etapas osciladora e de amplificação não sejam bem ajustados para que isso ocorra. A inexistência de filtros de saída que eliminem harmônicas e espúrios também causa problemas, e o próprio sistema de antenas e cabos mau dimensionados também é origem de problemas.

Figura 1
Montando transmissores
Muitas vezes nesta Revista publicamos transmissores de FM, alguns até com potências elevadas. Sempre, entretanto, alertamos os leitores para as restrições legais que existem quanto ao seu uso, e principalmente sobre os cuidados que devem ser tomados com sua instalação e montagem.
Em suma, montar e operar transmissores não é um brinquedo. Justifica-se a utilização de um transmissor com alguma potência numa localidade isolada, como uma vila ou pequena cidade em que o serviço não existe.
Justifica-se a instalação de um pequeno transmissor em um clube ou escola, desde que isso não afete qualquer tipo de serviço de comunicação que eventualmente possa existir no local.
Na verdade, essa é a filosofia básica da Emissora Comunitária, que seria prestar um serviço no local em que ele não é disponível. No entanto, no momento em que esse tipo de equipamento pode causar problemas e, principalmente, colocar em risco vidas humanas, sua presença não tem qualquer justificativa.
Instalar e operar indevidamente transmissores de FM em locais densamente povoados, podendo também causar interferências em TV e outros serviços, perto de aeroportos onde possam interferir nos equipamentos das aeronaves é algo que deve ser combatido rigorosamente.
*Originalmente publicado na revista Eletrônica total - Ano - 18 - Edição 125 - Mês - Jul/Ago/2007